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3,5% ou 30%? Ministro da Educação compara corte no orçamento das universidades a “chocolatinhos” e gera confusão nos números oficiais

Em live nas redes sociais, Weintraub espalhou 100 barras em uma mesa, afirmou que "três e meio" chocolates estão sendo deixados “para comer depois de setembro”, em alusão ao contingenciamento anunciado pelo MEC

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Foto: Reprodução

Em vídeo ao vivo publicado nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, comparou o orçamento do MEC a “chocolatinhos” para tentar explicar os cortes anunciados em universidades de todo o país. Ao espalhar 100 barras pequenas em uma mesa, Weintraub afirma que "três e meio" chocolates estão sendo deixados “para comer depois de setembro”, o que corresponderia a 3,5% do orçamento contingenciado nas instituições federais.

Esse número, de 3,5%, foi apresentado pelo MEC, em nota divulgada nesta semana em seu site oficial. O texto, no entanto, não explica de onde vem esse cálculo. O problema é que na semana passada, a própria pasta anunciou que os cortes são de 30% para o orçamento deste ano. O suposto erro na conta do ministro rendeu críticas e foi um prato cheio para brincadeiras nas redes sociais.

O fato é que os cálculos de Weinbtraub, que é economista, não estão errados, apenas mal explicados. Isso porque, segundo a pasta, “o orçamento para 2019 dessas instituições totaliza R$ 49,6 bilhões, dos quais 85,34% são despesas de pessoal, como pagamento de salários para professores e demais servidores, 13,83% são despesas discricionárias e 0,83% são despesas para cumprimento de emendas parlamentares impositivas”.

Em vídeo publicado nesta semana, o ministro já havia ressaltado que o contingenciamento não afeta, por exemplo, o pagamento de salários de professores.

“Contingenciar não é cortar. O que a gente está fazendo? A gente está mantendo integralmente o salário de todos os professores, a gente está mantendo integralmente o refeitório e alimentação de todos os alunos. Qual o impacto disso, quanto representa? Estão falando: “está cortando 30%”. No orçamento total das universidades do MEC, se você desconta essas despesas que estão garantidas e não vão ser cortadas, o impacto é menos de 5% do orçamento”.

Na última quarta-feira (8), o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido para suspender o bloqueio de verbas para as universidades federais do país.

O requerimento tinha sido feito pelo senador Angelo Coronel (PSD), que entrou com um mandado de segurança solicitando a nulidade do bloqueio. Segundo o parlamentar, a decisão de Weintraub é uma "ameaça que se coloca na continuidade dos programas das universidades".

Na decisão, o ministro Marco Aurélio Mello alegou que a Suprema Corte não pode decidir sobre a questão, já que o decreto do presidente Jair Bolsonaro "não promove o apontado corte de verbas nas universidades", mas sim um bloqueio no orçamento.

Paulo Henrique

Formado em Jornalismo e com Pós-Graduação em Gestão da Comunicação nas Organizações, possui experiência em redações e assessorias, atuou como estagiário na Secretaria de Saúde do Distrito Federal, no Portal R7 e na ASCOM da Câmara dos Deputados. Depois de formado, foi Assessor de Comunicação do Instituto de Migrações e Direitos Humanos e atualmente é repórter na Agência do Rádio.


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Em vídeo ao vivo publicado nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, comparou o orçamento do MEC a “chocolatinhos” para tentar explicar os cortes anunciados em universidades de todo o país. Ao espalhar 100 barras pequenas em uma mesa, Weintraub afirma que "três e meio" chocolates estão sendo deixados “para comer depois de setembro”, o que corresponderia a 3,5% do orçamento contingenciado nas instituições federais.

Esse número, de 3,5%, foi apresentado pelo MEC, em nota divulgada nesta semana em seu site oficial. O texto, no entanto, não explica de onde vem esse cálculo. O problema é que na semana passada, a própria pasta anunciou que os cortes são de 30% para o orçamento deste ano. O suposto erro na conta do ministro rendeu críticas e foi um prato cheio para brincadeiras na redes sociais.

O fato é que os cálculos de Weinbtraub, que é economista, não estão errados, apenas mal explicados. Isso porque, segundo a pasta, “o orçamento para 2019 dessas instituições totaliza R$ 49,6 bilhões, dos quais 85,34% são despesas de pessoal, como pagamento de salários para professores e demais servidores, 13,83% são despesas discricionárias e 0,83% são despesas para cumprimento de emendas parlamentares impositivas”.

Em vídeo publicado nesta semana, o ministro já havia ressaltado que o contingenciamento não afeta, por exemplo, o pagamento de salários de professores.

“Contingenciar não é cortar. O que a gente está fazendo? A gente está mantendo integralmente o salário de todos os professores, a gente está mantendo integralmente o refeitório e alimentação de todos os alunos. Qual o impacto disso, quanto representa? Estão falando: “está cortando 30%”. No orçamento total das universidades do MEC, se você desconta essas despesas que estão garantidas e não vão ser cortadas, o impacto é menos de 5% do orçamento”.

Na última quarta-feira (8), o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido para suspender o bloqueio de verbas para as universidades federais do país.

O requerimento tinha sido feito pelo senador Angelo Coronel (PSD), que entrou com um mandado de segurança solicitando a nulidade do bloqueio. Segundo o parlamentar, a decisão de Weintraub é uma "ameaça que se coloca na continuidade dos programas das universidades".

Na decisão, o ministro Marco Aurélio Mello alegou que a Suprema Corte não pode decidir sobre a questão, já que o decreto do presidente Jair Bolsonaro "não promove o apontado corte de verbas nas universidades", mas sim um bloqueio no orçamento.

Reportagem, Tácido Rodrigues