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Com PPP, secretaria da Habitação de SP prevê construção de 3,6 mil novas moradias na capital

O investimento na chamada PPP do Centro será de R$ 1,38 bilhão e vai beneficiar famílias com renda entre R$ 810 a R$ 5.724. Parlamentares de SP no Congresso Nacional defendem esse modelo de contrato, que une governos e empresas para a realização conjunta de obras

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Diminuir o déficit habitacional na cidade de São Paulo, estimado em 474 mil domicílios. Esse é o principal objetivo da primeira parceria público-privada de Habitação de Interesse Social (HIS) do país, a chamada PPP do Centro. Em outubro passado, a Secretaria da Habitação entregou 96 apartamentos do Residencial Gusmões, localizado no centro da capital, totalizando 1.227 unidades de interesse popular já disponibilizadas a famílias paulistanas com renda entre R$ 810 a R$ 5.724

O investimento na PPP será de R$ 1,38 bilhão, sendo R$ 465 milhões de contrapartida do Governo do Estado. Ao todo serão construídas 3,6 mil habitações. Na parceria, a concessionária PPP Habitacional SP investirá R$ 919 milhões e é responsável pela construção das moradias, prestação de serviços de desenvolvimento de trabalho técnico social (pré e pós-ocupação), gestão condominial, gestão de carteira de mutuários e manutenção predial.

E exemplos como o da PPP do Centro podem se tornar mais frequentes a partir do próximo ano, caso o Congresso Nacional aprove o projeto de lei (PL 7.063/17), que cria o novo marco legal das concessões e PPPs no Brasil. A expectativa em torno do projeto é porque uma das ideias centrais é a de desburocratizar o processo de contratação de uma PPP, sem perder a segurança jurídica.

O projeto traz mudanças para as normas atuais, entre elas a ampliação da arbitragem nos contratos. A arbitragem é uma forma de solucionar conflitos e pendências relacionadas ao equilíbrio econômico-financeiro. O texto traz ainda o uso de um comitê de resolução de disputa. Além disso, cria também dois modelos de concessão: a simplificada, para projetos de menor valor e mais célere; e a conjunta, onde estejam envolvidos mais de um serviço.

Pronto para ir ao plenário da Câmara dos Deputados, o projeto tem 224 artigos e é considerado a maior mudança na legislação sobre concessões e parcerias entre governo e iniciativa privada dos últimos 29 anos. 

Segundo o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), PPP é uma prática de contratação “importante” para sustentar o andamento de projetos no país. “Precisamos de investimento no país. E uma tentativa é fazer o investimento privado, vamos ver se isso acontece”, pondera o parlamentar. 

Para Herculano Passos (MDB-SP), os serviços oferecidos para a populações poderão melhorar com a entrada de mais empresas privadas na execução dos projetos. “A parceria público-privada é importante porque temos que ter investimento privado em serviços que, com certeza, muitos hoje são estatais. Com certeza os serviços podem melhorar”, afirma o deputado. 

Mais casas até 2020

São Paulo construirá, ao todo, 3.683 moradias na região central da capital. Dessas, 1,4 mil são Habitações de Mercado Popular (HMP) para público com renda mensal superior a R$ 5.724,00. As outras 2,2 mil unidades são Habitações de Interesse Social, como as do Residencial Gusmões. 

A PPP também engloba mudança urbanística nas áreas de intervenção, com recuperação de espaços públicos, criação de áreas comerciais e de serviços, além da restauração ou criação de novas edificações para equipamentos públicos, como no caso da reforma do segundo Batalhão do Corpo de Bombeiros, da nova sede da Escola de Música Tom Jobim, da revitalização das praças Júlio Prestes e Cleveland. 

O especialista em administração pública voltada para a gestão, Ricardo Corrêa Gomes explica que as PPPs são uma forma de o governo realizar investimentos e otimizar serviços por meio da iniciativa privada. “O beneficiário seria o cidadão, a sociedade. Como o governo não consegue prestar esse serviço, os recursos são escassos, as necessidades são ilimitadas e crescentes, e mais sofisticadas, a sociedade precisa evoluir, tanto sociedade quanto governo, para atender as demandas”, explica Gomes.
 
Ainda segundo o especialista, o sucesso das PPPs depende do controle e da fiscalização em cima do contrato; e o PL ajudará nesse processo. “Essa é a grande questão. Se o contrato não for bem feito, se os termos não tiverem mecanismos de controle que assegurem que isso vai acontecer, pode ser que não aconteça”, alerta. O texto do PL 7063 prevê plano de recuperação e correção das falhas em caso de intervenção ou caducidade.

Camila Costa

Jornalista formada há 10 anos, foi repórter de política no Jornal Tribuna do Brasil, do Jornal Alô Brasília e do Jornal de Brasília. Por cinco anos esteve no Correio Braziliense, como repórter da editoria de Cidades. Foi repórter e coordenadora de redação na Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), vinculada à Presidência da República. Recebeu, por duas vezes, o Prêmio PaulOOctavio de Jornalismo e, em 2014, o Prêmio Imprensa Embratel/Claro 15° Edição. Hoje, Camila é repórter da redação da Agência do Rádio.


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LOC.: Diminuir o déficit habitacional na cidade de São Paulo, estimado em 474 mil domicílios. Esse é o principal objetivo da primeira parceria público-privada de Habitação de Interesse Social (HIS) do país, a PPP do Centro. Em outubro passado, a Secretaria da Habitação entregou 96 apartamentos do Residencial Gusmões, localizado no centro da capital, totalizando 1.227 unidades de interesse popular já disponibilizadas a famílias paulistanas com renda entre R$ 810 a R$ 5.724

Esse modelo de contrato das PPPs, onde acordos são firmados entre os setores público e privado para a realização conjunta de um serviço ou uma obra que beneficiará a população, está em discussão na Câmara dos Deputados. 

O PL 7.063 de 2017 traz mudanças para as normas atuais, garantindo segurança jurídica durante o processo de execução dos contratos. A expectativa em torno do projeto é porque uma das ideias centrais é a de desburocratizar o processo de contratação de uma PPP. Pronto para ir ao plenário, o PL foi chamado de Lei Geral de Concessões (LGC), tem 224 artigos e é considerado a maior mudança na legislação sobre concessões e parcerias entre governo e iniciativa privada dos últimos 29 anos. 

Segundo o deputado federal Carlos Zarattini, do PT paulista, a PPP é uma prática de contratação “importante” para sustentar o andamento de projetos no país. 

 

TEC./SONORA: deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP)

“Precisamos de investimento no país. E uma tentativa é fazer o investimento privado, vamos ver se isso acontece.”


 

LOC.: Para Herculano Passos, do MDB de São Paulo, os serviços oferecidos para a populações poderão melhorar com a entrada de mais empresas privadas na execução dos projetos.

 

TEC./SONORA: deputado federal Herculano Passos (MDB-SP)  

“A parceria público-privada é importante, porque temos que ter investimento privado em serviços que, com certeza, muitos hoje são estatais. Com certeza os serviços podem melhorar.”

 

LOC.: O especialista em administração pública voltada para a gestão pública, Ricardo Corrêa Gomes explica que as PPPs são uma forma de o governo realizar investimentos e otimizar serviços por meio da iniciativa privada. 


 

TEC./SONORA: especialista em administração pública voltada para a gestão pública, Ricardo Corrêa Gomes

“O beneficiário seria o cidadão, a sociedade. Como o governo não consegue prestar esse serviço, os recursos são escassos, as necessidades são ilimitadas e crescentes, e mais sofisticadas, a sociedade precisa evoluir, tanto sociedade quanto governo, para atender as demandas.”

 

LOC.: O investimento na PPP do Centro, em São Paulo, será de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, sendo R$ 465 milhões de contrapartida do Governo do Estado e R$ 919 milhões injetados pela concessionária PPP Habitacional. Ao todo, serão construídas 3.683 casas.

Reportagem, Camila Costa