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Mesmo respondendo a julgamento por corrupção, Cristina Kirchner tem 41% das intenções de voto como vice-presidente

A ex-presidente tem 12 processos na Justiça, cinco julgamentos pendentes e seis pedidos de prisão preventiva que não foram adiante

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Na última segunda-feira (10), a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, compareceu à quarta audiência do julgamento que enfrenta no país. Acusada de corrupção, associação ilícita e desvio de verbas públicas, a atual senadora surpreendeu o mundo, em maio, ao anunciar interesse em concorrer como vice-presidente do pré-candidato Alberto Fernández. A expectativa era de que ela tentasse o cargo de titular do poder Executivo.

A composição da chapa foi apresentada para diminuir a rejeição ao nome Kirchner, aumentando as chances de vitória da oposição. Essa avaliação é feita por diversos especialistas, como o coordenador geral do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional, da Universidade de São Paulo (USP), Alberto Pfeifer.

Para ele, “com a vitória dessa chapa, se espera que as políticas de cunho mais populista, que Kirchner empreendeu durante a gestão, voltem a ser implementadas”. Ele ressalta, porém, que “isso não significa que o candidato vencedor não possa ser a pessoa que assuma o protagonismo”.

Na mesma linha de Pfeifer, o especialista em Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Eduardo Vidigal acrescenta que além de interesses eleitoreiros, Kirchner tenta fugir da justiça. Segundo ele “a candidatura a vice ocorre de um duplo movimento. Por um lado, ela poderia ter um indulto presidencial, e por outro para enfraquecer o peronismo federal”.

Processos
Cristina Kirchner tem 12 processos correndo na Justiça, cinco julgamentos pendentes e seis pedidos de prisão preventiva que não prosseguiram por conta de foro privilegiado decorrente do cargo de senadora. Entre os processos, ela responde por associação ilícita e fraude. Os valores desviados giram em torno de 46 bilhões de pesos, o equivalente a 1 bilhão de dólares.

Além disso, a ex-presidente responde por desvio de verbas, entre 2004 e 2015, que favoreceram o empresário Lázaro Báez, em contratos de mais de 50 obras. O valor significa 80% do total de obras públicas realizadas no período. Ainda segundo a Justiça argentina, muitas das obras sequer foram concluídas.

Alberto Pfeifer reforça que a candidatura é uma “faca de dois gumes”. Ele explica que as acusações contra Kirchner podem inviabilizar as chances de vitória da chapa. No entanto, em caso de vitória, a ex-presidente teria a oportunidade de receber um indulto presidencial, fugindo da Justiça. 

O especialista da USP argumenta que, além dessa possiblidade, a única alternativa para a ex-presidente seria o exílio fora da Argentina. “O empossado goza de isenções quanto a processos judiciais. Mas como candidata, ela responde como qualquer um do povo”, explica Pfeifer. 

Eleições
Além da chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, que já anunciaram interesse em concorrer às eleições primárias em agosto, outras candidaturas estão surgindo.

Outro que surpreendeu foi o atual presidente da Argentina, Maurício Macri, que anunciou o nome do opositor peronista Miguel Pichetto como vice em sua chapa. Isso pode tornar o cenário eleitoral ainda mais imprevisível.

Em maio o Macri tinha 36% das intenções de voto, o número caiu para 28,5%, em junho. Já a chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner subiu três pontos em relação ao mês anterior e chega a 41%, em junho. A pesquisa foi realizada pela consultora Hugo Haime e Associados.

As eleições primárias serão realizadas no dia 11 de agosto. Já as eleições gerais, no dia 27 de outubro.

Sara Rodrigues

Sara iniciou a carreira jornalística como estagiária da Agência do Rádio, em 2014. Foi repórter da UnBTV durante 1 ano e 6 meses e retornou para a redação da ARB como repórter. É responsável pela coluna Diversão em Pauta, e cobre Política Internacional.


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LOC.: No início dessa semana, a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, compareceu à quarta audiência de seu julgamento. A atual senadora responde por corrupção, associação ilícita e desvio de verbas públicas. Mas outro assunto tem chamado a atenção no mundo político.

Kirchner se lançou como pré-candidata a vice-presidente na chapa de Alberto Fernández, que foi chefe de Estado na gestão da peronista. A expectativa era que ela mesma tentasse o cargo de líder do país.

O coordenador geral do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional, da Universidade de São Paulo (USP), Alberto Pfeifer, afirma que a decisão da oposição visa diminuir a rejeição ao nome da ex-presidente. De acordo com ele, a vitória de Kirchner traria de volta a execução de políticas populistas.

TEC./SONORA: Alberto Pfeifer, coordenador geral do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP

“No caso da vitória dessa chapa, se espera que as políticas de cunho mais populista, que Kirchner empreendeu durante a gestão, voltem a ser implementadas, mas isso não quer dizer que o candidato vencedor não possa ser a pessoa que assuma o protagonismo.”

LOC.: Para o especialista em relações internacionais, Carlos Eduardo Vidigal, da Universidade de Brasília (UNB), além da aposta na vitória presidencial, Cristina Kirchner também tenta escapar do julgamento na Justiça.

TEC./SONORA: Carlos Eduardo Vidigal, especialista em Relações Internacionais

“A decisão da Cristina Kirchner de se candidatar a vice, e não a presidente da Argentina ocorre de um duplo movimento: por um lado ela poderia ter um indulto presidencial - no caso da vitória eleitoral - uma vez que hoje é senadora e está protegida pelo cargo. Outro movimento foi no sentido de enfraquecer o peronismo federal, que é uma dissidência que vem articulando uma candidatura própria.”

LOC.: A ex-presidente Cristina Kirchner tem 12 processos na Justiça, cinco julgamentos pendentes e seis pedidos de prisão preventiva que não foram adiante por conta de foro privilegiado.

A escolha do líder máximo da Argentina acontece em duas etapas: a primeira são as eleições primárias, no dia 11 de agosto, e a segunda é a definitiva, que será no dia 27 de outubro.

Até o momento, pesquisa da consultora Hugo Haime e Associados mostrou que Maurício Macri, atual presidente, tem 28,5% das intenções de voto. Ele já anunciou o ex-opositor peronista Miguel Pichetto como vice em sua chapa. Já a chapa de Cristina Kirchner e Alberto Fernández têm 41%.

Roberto Lavagna, economista argentino, tem apenas 10% das intenções de voto, mas em uma possível chance no segundo turno, as chances de vitória do pré-candidato aumentariam.

Reportagem, Sara Rodrigues