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Mudanças Climáticas: o ser humano pode interferir na temperatura da Terra?

Confira posicionamentos de engenheiros ambientais e climatologistas na Semana do Meio Ambiente

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Os termos “aquecimento global” e “mudanças climáticas” ganharam força em conferências ambientais ainda no século XX. O cientista norte-americano Wallace Smith popularizou o aquecimento global em 1975, quando a Terra passou por uma mudança de temperatura. 

A partir dali cientistas, ambientalistas e organizações realizaram conferências e debates para discutir o que poderia causar esse aquecimento, e dessa forma, ajudar os países a prevenirem extinção de animais, e encontrar formas de proteger a natureza e a água potável.

Na década de 1980, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O objetivo era coletar os estudos produzidos por pesquisadores e gerar relatórios de evidências sobre as mudanças do clima. Depois disso foram assinados protocolos e acordos entre os países para prevenir e diminuir a emissão de gases de efeito estufa.

Arte: Sabrine Cruz/Agência do Rádio Mais

De acordo com a engenheira ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), Maria Fernanda Pelizzon, o termo “aquecimento global” foi atualizado porque apenas em algumas partes do mundo o clima fica mais quente. A outra expressão utilizada é “mudanças climáticas”, já que, segundo Pelizzon, há lugares que esfriam mais para o sistema manter o equilíbrio.

A engenheira ambiental explica que as mudanças climáticas acontecem em tempo geológico, mas defende que por conta de processos industriais as alterações estão acontecendo de forma muito mais rápida. “A gente fala da grande influência humana com o aumento do consumo de combustível fóssil e o desmatamento. Estamos mudando um processo que acontecia em milhares de anos, para questão de séculos ou até meio séculos”, argumenta.

Em 2018, o IPCC divulgou relatório que analisa as perspectivas de limitar o aquecimento global a 1,5ºC em relação ao período pré-industrial. O Painel continuou a alertar para a necessidade crítica de uma ação climática urgente.

Extinção e problemas sociais
Ainda no relatório do IPCC, os pesquisadores fizeram um desafio para proteger 30% do planeta, para que a natureza esteja amparada até 2030, e metade da terra até 2050. O Greenpeace, que é uma organização que realiza ações não violentas para denunciar ameaças ao meio ambiente, se pronunciou e divulgou que reduzir a emissão de gases é o nível mínimo seguro para a forma como os seres humanos vivem.

A coordenadora de mudanças climáticas do Greenpeace Brasil, Fabiana Alves, explica que o aumento da temperatura global é uma das principais causas para extinção de animais. “Um exemplo clássico é o Polo Norte e o Polo Sul. Com o derretimento do Ártico e da Antártida, você tem uma migração dos animais, que de qualquer maneira não sobrevivem em outras áreas”, afirma Alves.

Para a entidade, que acredita na influência humana no clima, é necessário criar políticas públicas nos países para ampliar os compromissos com a comunidade global, adotando medidas necessárias para proteger a Terra dos impactos que podem estar acontecendo.

Fabiana Alves reforça que não só entre os animais, o problema pode ser social e pode prejudicar também famílias com menores condições de vida. “Quando você tem consequências de mudanças climáticas sendo vistas como o aumento de inundações causadas por chuvas mais fortes e mais concentradas e num período de tempo menor, furacões e ciclones fora do Brasil, elas vão atingir pessoas que estão em áreas mais vulneráveis e que têm menos dinheiro”, pondera a coordenadora.

Clima x Meio Ambiente
Apesar de todos os relatórios divulgados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, especialistas ao redor do mundo, ambientalistas e ativistas que lutam para reduzir os danos das emissões de gases de efeito estufa na Terra, há especialistas que não acreditam nessa teoria e dizem que o aquecimento global é uma farsa.

De acordo com o Ricardo Felício, meteorologista e professor de climatologia da Universidade de São Paulo, o homem não tem o poder de controlar o clima, e por isso, não pode interferir criando mudanças climáticas.

Ele afirma que o clima, que é um padrão de elementos na atmosfera da Terra, existe por si só, e não tem nenhuma ligação com o meio ambiente que são fatores físicos, biológicos e químicos que fazem parte da vida dos seres vivos. “Do mesmo jeito que a gente não pode alterar o clima, nós também não podemos consertá-lo. Porque clima não é uma máquina”, explica o professor.

Felício explica que as mudanças climáticas foram inventadas para que os países não se desenvolvam, e defende que as nações precisam da geração de energia. “Quando você encarece a geração de energia, você quebra todo um ciclo tanto de produção quanto de bem-estar social. Quando eles falam que estão prometendo tirar as pessoas da pobreza, pelo contrário, eles vão levar mais ainda as pessoas à pobreza”, defende.

Sara Rodrigues

Sara iniciou a carreira jornalística como estagiária da Agência do Rádio, em 2014. Foi repórter da UnBTV durante 1 ano e 6 meses e retornou para a redação da ARB como repórter. É responsável pela coluna Diversão em Pauta, e cobre Política Internacional.


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LOC.: Na Semana do Meio Ambiente um tema tem divergido opiniões ao redor do mundo: as mudanças climáticas. Ao contrário do que muitos especialistas acreditam, há climatologistas que veem o aquecimento global e a influência humana na temperatura da Terra como uma mentira.

O termo aquecimento global, popularizado na década de 1970 por Wallace Smith, não é mais utilizado pelos estudiosos da área. A engenheira ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), Maria Fernanda Pelizzon, explica que em algumas partes do mundo o clima não fica mais quente, e sim esfria para o sistema manter o equilíbrio.

Pelizzon, que acredita na influência humana, explica que as mudanças climáticas acontecem naturalmente, mas expõe que com os processos industriais as alterações estão acontecendo de forma muito mais rápida.

TEC./SONORA: Maria Fernanda Pelizzon, engenheira ambiental da CETESB

“Por isso, a gente fala da grande influência humana com o aumento do consumo de combustível fóssil e o desmatamento. A gente está mudando um processo que acontecia em milhares de anos, para questão de séculos ou até meio séculos.”

LOC.: Já na década de 1980, foi criado o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU. Com a contribuição de quase 200 países, o IPCC coleta pesquisas e produz relatórios sobre as condições do clima e da temperatura da Terra.

No ano passado, o relatório afirmou que é necessário limitar o aquecimento global a 1,5 graus célsius em relação ao período pré-industrial. O Painel alertou ainda para a necessidade crítica de uma ação climática urgente.

Pesquisadores propuseram um desafio de proteger 30% do planeta, para que a natureza esteja amparada até 2030. Tudo isso, ajudando a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O meteorologista e professor de climatologia da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Felício, não acredita nisso.

Para ele, o ser humano não é capaz de inferir na temperatura da Terra. Ele explica que clima é diferente de meio ambiente. Felício acredita que a mudança climática é uma farsa, e que prejudica populações mais carentes, porque segundo ele, a redução de emissão de gases encarece geração de energia.

TEC./SONORA: Ricardo Felício, meteorologista e professor de climatologia da USP

“Quando você encarece a geração de energia, você quebra todo um ciclo tanto de produção quanto de bem-estar social. Quando eles falam que estão prometendo tirar as pessoas da pobreza, pelo contrário, eles vão levar mais ainda as pessoas à pobreza. Porque quando você tem água limpa, potável e saneamento básico, você precisa de energia. Logo, se a energia está cara, o saneamento básico fica caro e, portanto, não é para todos”

LOC.: Por outro lado, a coordenadora de mudanças climáticas do Greenpeace Brasil, Fabiana Alves, acredita que o aumento da temperatura global, além de contribuir com extinção de espécies animais, prejudica sim as populações mais pobres.

TEC./SONORA: Fabiana Alves, coordenadora de mudanças climáticas do Greenpeace Brasil

“Quando você tem consequências de mudanças climáticas sendo vistas como o aumento de inundações causadas por chuvas mais fortes e mais concentradas e num período de tempo menor, furacões e ciclones fora do Brasil, elas vão atingir pessoas que estão em áreas mais vulneráveis e que têm menos dinheiro.”

LOC.: Desde o final do século XX, estão sendo realizadas conferências e debates sobre mudanças climáticas para encontrar soluções que ajudem a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Em 1992, foi realizada no Brasil a Rio92. Já em 1997, foi assinado protocolo de Kyoto. Em 2015, o Protocolo de Paris para limitar a temperatura da Terra.

Reportagem, Sara Rodrigues