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Número de mortos nos protestos do Chile sobe para 11

Governo chileno declarou estado de emergência nas cidades do norte e sul do país

  • Repórter
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Foto: Daniel Barahona/Facebook da Federação de Estudantes da Universidade do Chile

O número de pessoas mortas em protestos contra o aumento das passagens de metrô no Chile aumentou para 11. A informação foi dada nesta segunda-feira (21), pela governadora de Santiago, Karla Rubilar.  Segundo o balanço oficial mais recente, mais de mil e quatrocentas pessoas já foram detidas.

Desde sexta-feira (18), uma onda de protestos fez com que militares e a polícia usassem gás lacrimogêneo e jatos d'água contra os manifestantes e um toque de recolher foi imposto nas principais cidades. 

Neste domingo (20), o governo chileno declarou estado de emergência nas cidades do norte e sul do país. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou que o país está "em guerra" contra os responsáveis pelos protestos. O chefe de estado disse ainda que entende que os cidadãos se manifestem, mas que considera "verdadeiros criminosos" os responsáveis pelos incêndios, pelas barricadas e pilhagens, assim como pelos mortos e feridos.

Uma fábrica de roupas foi alvo de roubos, no norte de Santiago; ocorreu um incêndio em um supermercado; ônibus foram queimados; dezenas de escolas suspenderam as aulas; e, mesmo que o presidente chileno tenha suspendido o aumento dos preços dos transportes, as manifestações e os confrontos prosseguiram no final de semana.

O aumento da tarifa do metrô foi apenas um "estopim" para que a crise se instalasse no país. Essa é a análise do professor Juliano da Silva Cortinhas, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB). Para o acadêmico, um descontentamento popular com a saúde, educação e previdência, pode ter motivado os protestos.

“[No Chile] A educação é paga, as pessoas se aposentam tardiamente – ganham muito pouco quando se aposentam. O sistema de saúde também está privatizado – não atende bem, não garante uma série de serviços, de procedimentos, de cirurgias, operações, com muita gente morrendo nos leitos de hospitais, sem condições de pagar. Então, é uma situação de longo prazo que vem se agravando, que é decorrente de um processo de privatizações, de adesão plena ao neoliberalismo, sem que haja instrumentos para que o Estado invista na economia e proteja a economia nacional de crises mundiais”, disse.

O estado de emergência no Chile permanece vigorando e conta com a mobilização de mais de 10 mil policiais.
 

Cintia Moreira

Com 3 anos de formação, Cintia sempre optou pelo radiojornalismo. Em uma de suas experiências profissionais ganhou um prêmio jornalístico e jura que não tem pautas de preferência. Sua única preferência é que tenham pautas.


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O número de pessoas mortas em protestos contra o aumento das passagens de metrô no Chile aumentou para 11. A informação foi dada nesta segunda-feira (21), pela governadora de Santiago, Karla Rubilar. Segundo o balanço oficial mais recente, mais de mil e quatrocentas pessoas já foram detidas.

Desde sexta-feira (18), uma onda de protestos fez com que militares e a polícia usassem gás lacrimogêneo e jatos d'água contra os manifestantes e um toque de recolher foi imposto nas principais cidades. 

Neste domingo (20), o governo chileno declarou estado de emergência nas cidades do norte e sul do país. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou que o país está "em guerra" contra os responsáveis pelos protestos. O chefe de Estado disse ainda que entende que os cidadãos se manifestem, mas que considera "verdadeiros criminosos" os responsáveis pelos incêndios, pelas barricadas e pilhagens, assim como pelos mortos e feridos.

Uma fábrica de roupas foi alvo de roubos, no norte de Santiago; ocorreu um incêndio em um supermercado; ônibus foram queimados; dezenas de escolas suspenderam as aulas; e, mesmo que o presidente chileno tenha suspendido o aumento dos preços dos transportes, as manifestações e os confrontos prosseguiram no final de semana.

O aumento da tarifa do metrô foi apenas um "estopim" para que a crise se instalasse no país. Essa é a análise do professor Juliano da Silva Cortinhas, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB). Para o acadêmico, um descontentamento popular com a saúde, educação e previdência, pode ter motivado os protestos.
 

“[No Chile] A educação é paga, as pessoas se aposentam tardiamente – ganham muito pouco quando se aposentam. O sistema de saúde também está privatizado – não atende bem, não garante uma série de serviços, de procedimentos, de cirurgias, operações, com muita gente morrendo nos leitos de hospitais, sem condições de pagar. Então, é uma situação de longo prazo que vem se agravando, que é decorrente de um processo de privatizações, de adesão plena ao neoliberalismo, sem que haja instrumentos para que o Estado invista na economia e proteja a economia nacional de crises mundiais.”

O estado de emergência no Chile permanece vigorando e conta com a mobilização de mais de 10 mil policiais.

Reportagem, Cintia Moreira