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PANORAMA POLÍTICO: O pacto nunca existiu

A entrevista de Rodrigo Maia ao jornal 'O Globo' sugere que o 'pacto pelo Brasil' já nasceu morto

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Marcos Corrêa/ Presidência da República

Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com os chefes dos outros poderes, Rodrigo Maia (DEM-RJ), da Câmara; Davi Alcolumbre (DEM-AP), do Senado; e Dias Toffoli, ministro, presidente do STF.

Do encontro: um resultado. O ‘pacto pelo Brasil’. Uma agenda conjunta entre os poderes a favor das reformas da Previdência e tributária, além do apoio a propostas sobre segurança pública. 

O acordo de cavalheiros foi analisado por esta coluna - já com o ceticismo que se mostrou pertinente, nesta primeira segunda-feira (3) do mês de junho.

A entrevista concedida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao jornal ‘O Globo’, revelou a inexistência de qualquer pacto, acordo, ou compromisso entre os Poderes.

“Pactos com agenda que caminhem para debate ideológico terão dificuldade de passar por todos os Poderes, não só na Câmara. Mas acho que a iniciativa é positiva”, afirmou Maia. 

Até aí, tudo bem. A expectativa era de que o texto em comum seria assinado pelos três Poderes, apenas no dia 10. O problema é que na resposta seguinte, Maia decidiu cutucar o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. 

“Acho que o Onyx avançou na informação sem uma construção política amarrada. Ele entregou um documento, ninguém leu, e ficou parecendo para a sociedade e a imprensa que a gente fechou aquele pacto em cima daquele texto. Zero de verdade nisso”, concluiu.

Ao que parece, o presidente da Câmara não está muito a fim de pactos ou acordos. Prefere mandar recados pela imprensa. Na mesma entrevista ao ‘O Globo’, disse que o Brasil precisa de uma ‘agenda’, mas que não vê isso no atual governo. Maia ainda se disse preocupado com o país - que segundo ele - caminha para um 'colapso social'.

As insinuações e indiretas de Maia, a fraca articulação política de Bolsonaro e a intromissão poderosa do Supremo em assuntos que não são da responsabilidade da Corte, deixam claro: o pacto nunca existiu, nem vai existir.

Fique ligado!


As andanças do governo... A visita surpresa de Bolsonaro à Câmara dos Deputados, na última semana, foi considerada positiva por diversos parlamentares. Nesta segunda (3), o governo trabalhou duro no Senado e conseguiu garantir quórum para aprovação de duas MPs que estavam prestes a caducar. Uma contra fraudes no INSS e outra sobre gratificações da AGU

Estados e municípios no bolo... Samuel Moreira (PSDB-SP), relator da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados afirmou que a melhor alternativa para o Brasil é a manutenção de estados e municípios no projeto da nova Previdência.

"Existem várias alternativas sendo estudadas, mas eu diria, e essa é uma opinião pessoal, que não há qualquer alternativa melhor do que mantermos os estados e municípios nesta reforma. Precisamos resolver isso ao mesmo tempo e de maneira rápida", disse em pronunciamento conjunto com governadores de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

MP escorregou... A Folha de S. Paulo informou nesta segunda que o MP do Rio de Janeiro errou na elaboração da petição que determinou a investigação nas contas bancárias de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Segundo o jornal: “Ao falar sobre um negócio que envolve 12 salas comerciais, os promotores do Ministério Público do Rio escreveram que o parlamentar adquiriu os imóveis por mais de R$ 2,6 milhões, quando, na verdade, ele deteve apenas os direitos sobre os imóveis, que ainda não estavam quitados e continuaram sendo pagos em prestações por outra empresa que assumiu a dívida.”
 

João Paulo Machado

João Paulo é graduado pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e iniciou sua carreira estagiando na área de reportagem da Rádio Nacional (EBC). Na Agência do Rádio atuou na cobertura de eventos importantes como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. No mesmo período, desenvolveu trabalho em parceria com o Ministério do Esporte redigindo reportagens para o portal Brasil2016.gov.br, além de colaborações para redes sociais.Atualmente, cobre os acontecimentos da Praça dos Três Poderes para a Agência do Rádio.


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Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com os chefes dos outros poderes, Rodrigo Maia (DEM-RJ), da Câmara; Davi Alcolumbre (DEM-AP), do Senado; e Dias Toffoli, ministro, presidente do STF.

Do encontro: um resultado. O ‘pacto pelo Brasil’. Uma agenda conjunta entre os poderes a favor das reformas da Previdência e tributária, além do apoio a propostas sobre segurança pública. 

O acordo de cavalheiros foi analisado por esta coluna - já com o ceticismo que se mostrou pertinente, nesta primeira segunda-feira (3) do mês de junho.

A entrevista concedida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao jornal ‘O Globo’, revelou a inexistência de qualquer pacto, acordo, ou compromisso entre os Poderes.

“Pactos com agenda que caminhem para debate ideológico terão dificuldade de passar por todos os Poderes, não só na Câmara. Mas acho que a iniciativa é positiva”, afirmou Maia. 

Até aí, tudo bem. A expectativa era de que o texto em comum seria assinado pelos três Poderes, apenas no dia 10. O problema é que na resposta seguinte, Maia decidiu cutucar o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. 

“Acho que o Onyx avançou na informação sem uma construção política amarrada. Ele entregou um documento, ninguém leu, e ficou parecendo para a sociedade e a imprensa que a gente fechou aquele pacto em cima daquele texto. Zero de verdade nisso”, concluiu.

Ao que parece, o presidente da Câmara não está muito a fim de pactos ou acordos. Prefere mandar recados pela imprensa. Na mesma entrevista ao ‘O Globo’, disse que o Brasil precisa de uma ‘agenda’, mas que não vê isso no atual governo. Maia ainda se disse preocupado com o país - que segundo ele - caminha para um 'colapso social'.

As insinuações e indiretas de Maia, a fraca articulação política de Bolsonaro e a intromissão poderosa do Supremo em assuntos que não são da responsabilidade da Corte, deixam claro: o pacto nunca existiu, nem vai existir.