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PE: Escola técnica SENAI Paulista capacita alunos com deficiência intelectual

São 16 estudantes com Síndrome de Down e autismo no curso de costureiro industrial de vestuário; qualificação faz parte do programa de formação profissional da instituição voltado a pessoas com algum tipo de deficiência

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O SENAI oferece formação profissional a pessoas com deficiência por meio do Programa de Ações Inclusivas (PSAI). Em todos os estados e no Distrito Federal, escolas e faculdades da instituição que faz parte do Sistema S recebem alunos em ambientes inclusivos, com instalações acessíveis, material didático adequado e professores capacitados. Em Pernambuco, o programa já beneficiou, desde sua a criação, em 2000, 400 estudantes com algum tipo de deficiência, seja visual, auditiva, intelectual ou física.

Um dos exemplos ocorre em Paulista, na escola técnica da instituição, localizada no bairro Paratibe. Lá, 16 alunos com Síndrome de Down e autismo formam a primeira turma inclusiva de pessoas com deficiência intelectual, pelo PSAI, no estado. Eles aprendem o ofício de costureiro industrial de vestuário. São jovens aprendizes de uma empresa de confecção local, que buscou consultoria do SENAI para a qualificação.

Na fase teórica do curso, eles aprendem português, matemática, cidadania e ética. Na etapa seguinte, têm acesso a conhecimentos específicos, como costura e modelagem. Nas aulas, também assimilam conceitos de Saúde e Segurança do Trabalho (SST).

A coordenadora pedagógica da unidade, Luciene Trajano, explica que o desenvolvimento dos alunos já é notado no primeiro mês de curso. “Além de o curso contribuir para a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho, cada vez mais, temos a certeza das capacidades que cada um traz”, conta. 

Ela lembra que a inclusão não deve ser um tema tão polêmico. “Eu não consigo vê-los como jovens diferentes. Eu vejo como mais um aluno na escola, mais um aluno SENAI, mais um jovem aprendiz”, completa.

Trabalho em família
Janaína e Jamerson Rosa são irmãos que, além do sangue, compartilham a singularidade de ter Síndrome de Down. Com a diferença de dois anos de nascimento, a irmã mais velha tem 35 anos e o mais novo, 33.

Os dois moram no Recife, no bairro Campo Grande, mas, quando foram contratados pela empresa, descobriram que o curso de capacitação ficaria a 20 quilômetros de distância, em Paulista. A mãe, Julia Rosa, conta que isso não foi impedimento, mas um motivo de mais animação.

Ela conta que, após o início do curso, os filhos estão mais felizes. “Eles estão mais conversadores, acordam cedo e tomam banho, querem ir para o curso todos os dias. Quando recebem o salário, eles têm consciência e falam que querem um celular novo, querem isso e querem aquilo. Está maravilhoso”, comemora.

A mãe também está muito feliz. Para ela, é importante ver que, durante o curso, Janaína e Jamerson passaram a ter muito mais autonomia. Eles saem de sala para ir ao banheiro ou tomar água sozinhos – o que não ocorria antes. Fizeram muitas amizades e, além de tudo, também gostam de ver o salário de jovem aprendiz caindo na conta.

Janaína e Jamerson não são os únicos na jornada de crescimento pessoal e profissional. Ao conseguir o primeiro emprego em uma empresa de confecção, o colega de turma Miguel de Souza, de 22 anos, demonstra muita alegria. Ele, que ama aprender, está gostando do trabalho que fará com “roupas”, como ele mesmo definiu.

O jovem, que também mora no Recife e tem Síndrome de Down, se diz realizado. “Eu fico feliz assim, porque eu quero aprender como é ser um bom funcionário de trabalho. Eu quero trabalhar”, afirma.

Ele também tem um objetivo com o novo trabalho e o curso: está juntando dinheiro para fazer gastronomia e realizar o sonho de ser um grande chef.

Ações inclusivas
O objetivo do PSAI é capacitar e dar autonomia para esses alunos, de forma que eles consigam conquistar vagas no mercado de trabalho e terem cada vez mais chances de serem gratificados por suas habilidades.

Para ser beneficiada pelo programa, basta a pessoa com deficiência se matricular em qualquer unidade do SENAI. A partir daí, a instituição se encarrega de adaptar o curso de acordo com o tipo de necessidade.

O SENAI também oferece programas de formação profissional customizados para empresas que desejam capacitar seus profissionais com deficiência e consultorias para instituições de ensino que queiram implementar o ensino inclusivo. Os interessados devem entrar em contato com o interlocutor do SENAI no estado. Mais informações podem ser acessadas em www.pe.senai.br.

Sara Rodrigues

Sara iniciou sua carreira jornalística na redação da Agência do Rádio como estagiária. Passou um tempo como repórter no canal universitário da Universidade de Brasília, mas logo voltou à Agência. Ficou cerca de um ano como estagiária e foi contratada logo depois.


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LOC.: De segunda a sexta-feira, a aposentada Julia Rosa, de 65 anos, percorre 20 quilômetros entre Recife e Paulista para levar os filhos para um curso técnico, no SENAI do bairro Paratibe. Janaína, de 35 anos, e Jamerson, de 33, têm Síndrome de Down e foram contratados no programa Jovem Aprendiz de uma empresa de confecção local.

Para exercer a função direitinho, os irmãos precisam da capacitação, e a profissão deles demanda conhecimento de costureiro industrial de vestuário. No curso do SENAI, eles aprendem português, matemática, cidadania e ética. Depois, começam a prática, na modelagem e costura.
Julia conta que o emprego e o curso vieram em boa hora e comemora que os filhos tem ganhado autonomia.

TEC./SONORA: Julia Rosa, aposentada

“Eles estão mais conversadores, mais felizes, acordam cedo e tomam banho, querem ir para o curso todos os dias. Quando recebem o salário, eles têm consciência e falam que querem um celular novo, querem isso e querem aquilo. Está maravilhoso.”

LOC.: A alegria também chegou para o colega de turma, Miguel de Souza, de 22 anos. Ele já conseguiu o primeiro emprego. O jovem, que também tem Síndrome de Down, gosta muito de aprender e gasta meia hora para chegar no curso de capacitação todos os dias. Ele conta que está muito feliz por trabalhar “com roupas”, como mesmo definiu.

TEC./SONORA: Miguel de Souza, estudante

“Eu fico feliz assim, porque eu quero aprender como é ser um bom funcionário de trabalho. E eu quero trabalhar.”

LOC.: Miguel, Janaína e Jamerson fazem parte da primeira turma inclusiva de pessoas com deficiência intelectual do Programa de Ações Inclusivas do SENAI, em Pernambuco. Pelo PSAI, a instituição que faz parte do Sistema S oferece formação profissional a pessoas com deficiência.

Em todo País, escolas e faculdades da instituição recebem alunos em ambientes inclusivos, com instalações acessíveis, material didático adequado e professores capacitados. No estado, o programa já beneficiou, desde sua criação, em 2000, 400 estudantes com algum tipo de deficiência, seja ela visual, auditiva, intelectual ou física.

A coordenadora pedagógica do SENAI Paulista, Luciene Trajano, defende que é muito importante inserir esses jovens no mercado de trabalho, porque eles têm capacidades e habilidades que outras pessoas não têm.

TEC./SONORA: Luciene Trajano, coordenadora pedagógica do SENAI Paulista

“A inclusão não deve ser um tema tão polêmico, porque eu não consigo vê-los como jovens diferentes. Eu vejo como mais um aluno na escola, mais um aluno SENAI, mais um jovem aprendiz. Entendendo que eles possuem limitações diferentes, e que a escola, os docentes, o planejamento de aula e a empresa precisam se adaptar para recebê-los como se fossem receber qualquer outra pessoa.”

LOC.: O objetivo do Programa de Ações Inclusivas é capacitar e dar autonomia para esses alunos, de forma que consigam conquistar vagas no mercado de trabalho e terem cada vez mais chances de serem gratificados por suas habilidades.

Para ser beneficiada pelo programa do SENAI, basta a pessoa com deficiência se matricular em qualquer unidade. A partir daí, a instituição se encarrega de adaptar o curso de acordo com o tipo de necessidade. Mais informações podem ser acessadas em www.pe.senai.br.

Reportagem, Sara Rodrigues