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Planalto admite preocupação, mas nega espionagem contra Igreja Católica

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, afirmou nesta segunda-feira (11) que existe uma preocupação em relação a uma articulação da Igreja Católica para influenciar debates sobre temas antes protagonizados pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

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Por Marquezan Araújo

O governo Federal admitiu, nesta segunda-feira (11) que existe uma preocupação em relação a uma articulação da Igreja Católica para influenciar debates sobre temas antes protagonizados pelo (PT) Partido dos Trabalhadores no interior do País e nas periferias.

A declaração foi dada pelo ministro-chefe do (GSI) Gabinete de Segurança Institucional general Augusto Heleno, um dia após o jornal Estado de S. Paulo publicar uma reportagem, afirmando que existe um incômodo do Palácio do Planalto com a agenda da Igreja, relacionada a pautas “consideradas de esquerda”.

Por meio de nota, Augusto Heleno afirmou que “Não há críticas genéricas à Igreja Católica. Existe a preocupação funcional do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional com alguns pontos da pauta do Sínodo sobre a Amazônia que ocorrerá no Vaticano, em outubro deste ano.”

O alerta teria partido da (Abin) Agência Brasileira de Inteligência e dos comandos militares. Segundo o Estadão, informes destes setores indicam que a Igreja está se articulando para potencializar discussões de temas estimados e caros à pauta do PT. 

A desconfiança do Governo sobre a Igreja Católica, de acordo com Estadão, está relacionada, por exemplo, a um evento agendado para outubro, no Vaticano. O encontro, que deve durar 23 dias, levantará pautas relacionadas aos povos da Amazônia, entre eles indígenas e ribeirinhos.

Além das questões referentes à Amazônia, outras medidas, como a liberação das armas no Brasil e mudanças climáticas, devem ser pontos de conflito entre as ideias de Bolsonaro e as convicções de bispos da Igreja Católica.

O ‘Estadão’ afirma que temas, como os citados anteriormente, deixam o Augusto Heleno, com uma pulga atrás da orelha.

Heleno também acusa o que chama de "clero progressista" de aproveitar o encontro no Vaticano para criticar Bolsonaro. Na avaliação dele, isso se trata de “interferência em assunto interno do Brasil”.

Pelas redes sociais, parlamentares do PT criticaram a movimentação de Augusto Heleno, interpretando que havia casos de espionagem por parte da Abin contra a Igreja.

O deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que “A escalada autoritária não para. A Igreja Católica é o alvo.”

Já o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), disse que “a espionagem de Bolsonaro contra a Igreja é grave e insere-se num cenário de retrocessos e ameaças às liberdades democráticas.”

Em resposta, Augusto Heleno afirmou que não há caso de espionagem. De acordo com ele, “a Igreja Católica não é objeto de qualquer tipo de ação por parte da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) que, conforme a legislação vigente, acompanha cenários que possam comprometer a segurança da sociedade e do estado brasileiro.”
 

Marquezan Araújo

Marquezan é formado pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), atuou como âncora de jornal radiofônico e locutor de programa musical. Passou por estágios na Agência Brasil e na Rádio Nacional, da EBC. Repórter da Agência do Rádio desde 2016, acompanha as movimentações do Legislativo no Congresso Nacional.


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O governo Federal admitiu, nesta segunda-feira (11) que existe uma preocupação em relação a uma articulação da Igreja Católica para influenciar debates sobre temas antes protagonizados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no interior do País e nas periferias.

A declaração foi dada pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, um dia após o jornal Estado de S. Paulo publicar uma reportagem, afirmando que existe um incômodo do Palácio do Planalto com a agenda da Igreja, relacionada a pautas “consideradas de esquerda”.

Por meio de nota, Augusto Heleno afirmou que “Não há críticas genéricas à Igreja Católica. Existe a preocupação funcional do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional com alguns pontos da pauta do Sínodo sobre a Amazônia que ocorrerá no Vaticano, em outubro deste ano.”

O alerta teria partido da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e dos comandos militares. Segundo o Estadão, informes destes setores indicam que a Igreja está se articulando para potencializar discussões de temas estimados e caros à pauta do PT. 

A desconfiança do Governo sobre a Igreja Católica, de acordo com Estadão, está relacionada, por exemplo, a um evento agendado para outubro, no Vaticano. O encontro, que deve durar 23 dias, levantará pautas relacionadas aos povos da Amazônia, entre eles indígenas e ribeirinhos.

Além das questões referentes à Amazônia, outras medidas, como a liberação das armas no Brasil e mudanças climáticas, devem ser pontos de conflito entre as ideias de Bolsonaro e as convicções de bispos da Igreja Católica.

O ‘Estadão’ afirma que temas, como os citados anteriormente, deixam Augusto Heleno, com uma pulga atrás da orelha.

Heleno também acusa o que chama de "clero progressista" de aproveitar o encontro no Vaticano para criticar Bolsonaro. Na avaliação dele, isso se trata de “interferência em assunto interno do Brasil”.

Pelas redes sociais, parlamentares do PT criticaram a movimentação de Augusto Heleno, interpretando que havia casos de espionagem por parte da Abin contra a Igreja.

O deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que “A escalada autoritária não para. A Igreja Católica é o alvo.”

Já o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), disse que “a espionagem de Bolsonaro contra a Igreja é grave e insere-se num cenário de retrocessos e ameaças às liberdades democráticas.”

Em resposta, Augusto Heleno afirmou que não há caso de espionagem. De acordo com ele, “a Igreja Católica não é objeto de qualquer tipo de ação por parte da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) que, conforme a legislação vigente, acompanha cenários que possam comprometer a segurança da sociedade e do estado brasileiro.”

Reportagem, Marquezan Araújo