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Preconceito ainda é obstáculo para pacientes com hanseníase

Francilene Mesquita, 42 anos, foi obrigada a parar de trabalhar quando recebeu o diagnóstico de Hanseníase, cinco anos depois de começar a apresentar os sintomas da doença.

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Ao surgimento de qualquer mancha que tenha a perda ou diminuição da sensibilidade ao toque, ao calor ou frio, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima - Foto: Sabrine Cruz/Agência do Rádio

Dor e tristeza acompanham o isolamento. E a situação fica ainda mais difícil se for por causa de uma doença com estigma de deformidade. Francilene Mesquita, de 42 anos, foi obrigada a parar de trabalhar quando recebeu o diagnóstico de Hanseníase, cinco anos depois de começar a apresentar os sintomas da doença. Sentia dormências, tinha inchaços e levava pequenos choques através do corpo. Depois do tratamento, no entanto, a única sequela foi o travamento em um dos nervos da mão direita. Além das consequências físicas, ficou o trauma psicológico.

“Na verdade, me isolei. Não queria que ninguém soubesse. Nem meus próprios familiares. Também tive uma grande preocupação por ser diarista. Trabalhava em casa de família, fiquei com medo da reação delas, até eu mesmo estava com medo, o que dirá as outras pessoas. Se eu tenho preconceito comigo mesma, o preconceito é o próprio medo. Mas este medo, na verdade, é o medo do outro, a gente fica com medo da reação das pessoas”, diz.  

Ao fim do tratamento, foi preciso tomar corticoide para a dor na mão, depois que um nervo da área foi comprometido. Mesmo com muita fisioterapia, Francilene ficou incapacitada de fazer trabalhos braçais, o que a forçou a mudar de profissão. Agora, ela atua como voluntária para informar a população sobre a hanseníase e cursa Serviços Sociais. 

A superação não é incomum para quem tem ou já teve a doença, que tem tratamento e cura. De acordo com a supervisora do Programa de Hanseníase do Piauí, Eliracema Alves, foram detectados, no estado, mais de 980 novos casos em 2018. Ela explica que a maioria dos diagnósticos foi de pacientes com a hanseníase na forma multibacilar, tipo em que pode haver transmissão de pessoa para pessoa.

“A forma multibacilar é a forma onde o indivíduo tem muitos bacilos. É a forma de contaminação, que pode passar para outras pessoas - porque tem a paucibacilar e amultibacilar. Desses novos, nós temos também crianças, em torno de 55 crianças, menores de 15 anos, que têm hanseníase. O que é uma preocupação nossa, do estado, porque onde tem uma criança com hanseníase, é porque tem um adulto que não foi diagnosticado e não está fazendo o tratamento. Porque quando a pessoa inicia o tratamento, após alguns dias, ele já não transmite mais a doença para ninguém”, orienta.

A recomendação de Eliracema é que a população não tenha medo, nem vergonha de se tratar. O acompanhamento está disponível nas redes de saúde estaduais. Caso descubra manchas na pele ou perda de pelos sem explicação aparente, é fundamental procurar atendimento na Unidade Básica de Saúde mais próxima. A internação não é necessária e, depois da primeira dose, o medicamente passa a ser administrado pelo próprio paciente. 

Por isso, o importante mesmo é ficar atento aos sinais do seu corpo. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, menores as chances de sequelas. Então, não esqueça: identificou, tratou, curou. Para mais informações acesse saúde.gov.br/hanseníase. Ministério da Saúde, Governo Federal. Pátria Amada Brasil.

Agência do Rádio



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LOC.: Dor e tristeza acompanham o isolamento. E a situação fica ainda mais difícil se for por causa de uma doença com estigma de deformidade. Francilene Mesquita, de 42 anos, foi obrigada a parar de trabalhar quando recebeu o diagnóstico de Hanseníase, cinco anos depois de começar a apresentar os sintomas da doença. Sentia dormências, tinha inchaços e levava pequenos choques através do corpo. Depois do tratamento, no entanto, a única sequela foi o travamento em um dos nervos da mão direita. Além das consequências físicas, ficou o trauma psicológico.

TEC./SONORA: Francilene Mesquita, estudante.

“Na verdade, me isolei. Não queria que ninguém soubesse. Nem meus próprios familiares. Também tive uma grande preocupação por ser diarista. Trabalhava em casa de família, fiquei com medo da reação delas, até eu mesmo estava com medo, o que dirá as outras pessoas. Se eu tenho preconceito comigo mesma, o preconceito é o próprio medo. Mas este medo, na verdade, é o medo do outro, a gente fica com medo da reação das pessoas”.  
 

LOC.: Ao fim do tratamento, foi preciso tomar corticoide para a dor na mão, depois que um nervo da área foi comprometido. Mesmo com muita fisioterapia, Francilene ficou incapacitada de fazer trabalhos braçais, o que a forçou a mudar de profissão. Agora, ela atua como voluntária para informar a população sobre a hanseníase e cursa Serviços Sociais. 

A superação não é incomum para quem tem ou já teve a doença, que tem tratamento e cura. De acordo com a supervisora do Programa de Hanseníase do Piauí, Eliracema Alves, foram detectados, no estado, mais de 980 novos casos em 2018. Ela explica que a maioria dos diagnósticos foi de pacientes com a hanseníase na forma multibacilar, tipo em que pode haver transmissão de pessoa para pessoa.
 

TEC./SONORA: Eliracema Alves, servidora da Secretaria da Saúde e supervisora do Programa de Hanseníasedo Piauí.

“A forma multibacilar é a forma onde o indivíduo tem muitos bacilos. É a forma de contaminação, que pode passar para outras pessoas - porque tem a paucibacilar e amultibacilar. Desses novos, nós temos também crianças, em torno de 55 crianças, menores de 15 anos, que têm hanseníase. O que é uma preocupação nossa, do estado, porque onde tem uma criança com hanseníase, é porque tem um adulto que não foi diagnosticado e não está fazendo o tratamento. Porque quando a pessoa inicia o tratamento, após alguns dias, ele já não transmite mais a doença para ninguém”.
 

LOC.: A recomendação de Eliracema é que a população não tenha medo, nem vergonha de se tratar. O acompanhamento está disponível nas redes de saúde estaduais. Caso descubra manchas na pele ou perda de pelos sem explicação aparente, é fundamental procurar atendimento na Unidade Básica de Saúde mais próxima. A internação não é necessária e, depois da primeira dose, o medicamente passa a ser administrado pelo próprio paciente. 

Por isso, o importante mesmo é ficar atento aos sinais do seu corpo. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, menores as chances de sequelas. Então, não esqueça: identificou, tratou, curou. Para mais informações acesse saúde.gov.br/hanseníase. Ministério da Saúde, Governo Federal. Pátria Amada Brasil.