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Primeira medalhista brasileira na WorldSkills fala sobre experiência de ser treinadora no SENAI

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Olá, meu nome é Camila Costa e começa agora mais um Agência Entrevista. Hoje vamos falar com Carla de Bona, 33 anos, a primeira medalhista brasileielira na história da WorldSkills. - a maior competição de profissões técnicas do mundo. Em 2007, quando participou, ela era a única competidora mulher na equipe do Brasil, que tinha 24 alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Naquele ano, o desafio foi no Japão, na modalidade de Webdesign and Development. Atualmente, Carla é treinadora no SENAI e orienta alunos que participam das Olimpíadas do Conhecimento e da WorldSkills. Seja bem-vinda.

Pra começar, queria que você falasse sobre sua experiência enquanto competidora e sobre os motivos desse gap de gênero.

“Começa lá atrás. Primeiro, tem pelo menos uma construção cultural de as modalidades, os cursos técnicos que existem no SENAI terem um peso mais masculino. Não quer dizer que é só para homem, mas tem essa coisa de “ah, não é pra mim, ah, não vou fazer mecânica, ah, não é coisa para mulher.” Então acho que tem um pouco dessa construção cultural, de não são modalidades de mulheres”.

Como você percebe hoje essa realidade na WorldSkills ?

“Fui buscar mais dados, fui entender, e percebi que não é uma situação só do Brasil, não é um coisa específica. É bem macro. E aí volto lá na minha história, quando fui competir em Webdesign, o que aconteceu é que era 18 ou 19 países competindo e eu era a única competidora mulher. Então, é uma coisa bem marcante”.

Por conta da sua experiência na WorldSkills, você chegou a fundar uma ONG nessa área. Como foi esse processo?

“Em 2015, comecei a me envolver com várias iniciativas de colocar mulher na tecnologia, ensinar elas a programar e mostrar que mulher também pode estar nessa área. Em 2016, eu junto com a Mariel e a Fernanda (fundadoras), a gente fundou uma ONG, que chama Reprograma, que basicamente ensina mulheres desempregadas a programar para que elas tenham oportunidades de entrar nessa área. Porque se você olhar, hoje, o mundo está cada vez mais sendo projetado de forma tecnológica. As soluções são tecnológicas, as pessoas estão usando tecnologia para pedir carro, pedir comida, enfim, usando para serviços mesmo. E quem está projetando isso é só uma parte do mundo, uma ótica do mundo, que são os homens, classe média, média alta e branco”.

A vivência no SENAI e na WorldSkills te ajudou a superar alguns preconceitos, então como superar essas diferenças?

“Tem umas barreiras que precisam ser quebradas, mas que com certeza dá pra fazer isso. Mas não dá para simplesmente falar ‘a vaga está ali e é só ela (mulher) querer’, porque ela já acha que não pode participar daquilo. Então, primeiro, tem que construir esse espaço de que ela pode estar ali e depois quebrar essas pequenas barreiras, que às vezes são até psicológicas. Ou elas sempre vão achar que não pertencem à elas”.

Por hoje só, pessoal. Agradeço a participação da Carla de Bona, primeira medalhista brasileira na WorldSkills e atualmente treinadora no SENAI. Obrigada pela audiência e até a próxima!

 

 

Agência do Rádio



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