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Produção da cachaça no Brasil é marcada por informalidade e domínio mineiro, aponta levantamento

80% dos produtores da bebida não são registrados pelo governo, avalia diretor do Ibrac. Anuário servirá para criação de políticas de incentivo à formalidade

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Créditos: Valter Campanato - EBC

Um levantamento inédito no País revelou dados sobre a produção da bebida alcoólica mais brasileira de todas, a cachaça.

De acordo com a publicação "A Cachaça no Brasil – Dados de Registro de Cachaças e Aguardentes", feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), os produtores de cachaça e aguardente somados representam cerca de um quarto do total de produtores de todas as bebidas registradas e produzidas em território nacional.

Em números reais, são 6,3 mil produtores das duas bebidas, registrados no ministério. A produção está em 800 municípios, de 26 Unidades da Federação – exceto Roraima.

O levantamento mostra que existem 3,6 mil cachaças e 1,8 mil aguardentes de cana registradas pelo governo.

Apesar da representatividade no setor de bebidas, o mercado da cachaça é marcado pela informalidade. Durante a divulgação do anuário, na última terça-feira, em Brasília, o diretor executivo do Ibra, Carlos Lima, revelou números expressivos sobre a situação de alguns produtores que estão na clandestinidade, levantados na comparação entre dados do anuário e do Censo Agropecuário do IBGE.

Segundo Lima, 80% dos produtores de cachaça estão na informalidade. O diretor do instituto acredita que, com a formalização e a continuidade do anuário, a situação pode ser 'trabalhada e melhorada'.

“O anuário passa a ser mais uma ferramenta para traçarmos políticas públicas, vermos o porquê de tal clandestinidade. Por que esses produtores não estão vindo para a formalidade? O que precisamos mudar em termos de cenário regulatório? Será que é a tributação que está impedindo a formalidade? Será que falta um trabalho de conscientização com esses produtores? Falta alguma capacitação para eles? Então agora nós começamos a traçar essas estratégias com base em dados oficiais”, explica Lima.

Outro ponto chave do documento está na distinção entre cachaça e aguardente. De acordo com o ministério, a aguardente é uma bebida com graduação alcoólica de 38% na 54% , feita a 20 graus através do rebaixamento do teor alcoólico destilado de maneira simples ou mistura fermentada.

Já cachaça é uma aguardente feita de cana e com graduação alcoólica entre 38% e 48%. Basicamente, atesta o anuário, toda cachaça é aguardente, mas nem toda aguardente é cachaça.

O evento de lançamento foi realizado na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade representante dos produtores do agronegócio brasileiro. Na apresentação, o presidente da confederação, João Martins, destacou que a cachaça é exportada para mais de 60 países, gerando uma receita de mais de US$ 14 milhões.

Para Martins, a profissionalização da produção de cachaça pode ser um 'trunfo' para a expansão de mercado composto, em sua maioria, segundo por micro e pequenos empresários.

“Para aumentar a competitividade do setor é necessário desenvolver políticas públicas, iniciativa por parte do setor privado, o que pode permitir a inclusão do produto no mercado internacional e nacional”, defende Martins.

O levantamento também abordou a situação geográfica da produção da cachaça. E aí, surge uma soberania. De acordo com os dados, Minas Gerais é o estado com mais empresas produtoras de cachaça e aguardente com 421 e 155 estabelecimentos respectivamente.

Créditos: ítalo Novaes - Agência do Rádio Mais

No registro de produtos do tipo cachaça, Minas também lidera, com 1,4 mil produtos registrados, contra 424 produtos de São Paulo. Para os produtos aguardente a soberania mineira continua, com 397 registros, contra 248 no Ceará.
 

Raphael Costa

O repórter Raphael Costa formou-se em 2015 no Centro Universitário de Brasília (CEUB), mas deu início à sua carreira anteriormente. Originalmente paulista, começou em um programa de Rádio e TV local, até se mudar para Brasília. Com cerca de três anos de casa, é a voz que noticia esportes, agricultura e economia.


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Um levantamento inédito no País revelou dados sobre a produção da bebida alcoólica mais brasileira de todas, a cachaça.

De acordo com a publicação "A Cachaça no Brasil – Dados de Registro de Cachaças e Aguardentes", feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), os produtores de cachaça e aguardente somados representam cerca de um quarto do total de produtores de todas as bebidas registradas e produzidas em território nacional.

Em números reais, são 6,3 mil produtores das duas bebidas, registrados no ministério. A produção está em 800 municípios, de 26 Unidades da Federação – exceto Roraima.

O levantamento mostra que existem 3,6 mil cachaças e 1,8 mil aguardentes de cana registradas pelo governo.

Apesar da representatividade no setor de bebidas, o mercado da cachaça é marcado pela informalidade. Durante a divulgação do anuário, na última terça-feira, em Brasília, o diretor executivo do Ibra, Carlos Lima, revelou números expressivos sobre a situação de alguns produtores que estão na clandestinidade, levantados na comparação entre dados do anuário e do Censo Agropecuário do IBGE.

Segundo Lima, 80% dos produtores de cachaça estão na informalidade. O diretor do instituto acredita que, com a formalização e a continuidade do anuário, a situação pode ser 'trabalhada e melhorada'.
 

“O anuário passa a ser mais uma ferramenta para traçarmos políticas públicas, vermos o porquê de tal clandestinidade. Por que esses produtores não estão vindo para a formalidade? O que precisamos mudar em termos de cenário regulatório? Será que é a tributação que está impedindo a formalidade? Será que falta um trabalho de conscientização com esses produtores? Falta alguma capacitação para eles? Então agora nós começamos a traçar essas estratégias com base em dados oficiais.”

Outro ponto chave do documento está na distinção entre cachaça e aguardente. De acordo com o ministério, a aguardente é uma bebida com graduação alcoólica de 38% na 54%, feita a 20 graus através do rebaixamento do teor alcoólico destilado de maneira simples ou mistura fermentada.

Já cachaça é uma aguardente feita de cana e com graduação alcoólica entre 38% e 48%. Basicamente, atesta o anuário, toda cachaça é aguardente, mas nem toda aguardente é cachaça.

O evento de lançamento foi realizado na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade representante dos produtores do agronegócio brasileiro. Na apresentação, o presidente da confederação, João Martins, destacou que a cachaça é exportada para mais de 60 países, gerando uma receita de mais de US$ 14 milhões.

Para Martins, a profissionalização da produção de cachaça pode ser um 'trunfo' para a expansão de mercado composto, em sua maioria, segundo por micro e pequenos empresários.
 

“Para aumentar a competitividade do setor é necessário desenvolver políticas públicas, iniciativa por parte do setor privado, o que pode permitir a inclusão do produto no mercado internacional e nacional.”

O levantamento também abordou a situação geográfica da produção da cachaça. E aí, surge uma soberania. De acordo com os dados, Minas Gerais é o estado com mais empresas produtoras de cachaça e aguardente com 421 e 155 estabelecimentos respectivamente.

No registro de produtos do tipo cachaça, Minas também lidera, com 1,4 mil produtos registrados, contra 424 produtos de São Paulo. Para os produtos aguardente a soberania mineira continua, com 397 registros, contra 248 no Ceará.

Reportagem, Raphael Costa