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SAÚDE CRÔNICA: Moby Dick e os sobreviventes do câncer

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Uma gigantesca baleia cachalote se recusa a morrer pelas mãos de marinheiros que travam uma caçada implacável contra o animal, que a todo o momento demonstra uma enorme vontade de viver, lutando com todas as forças para escapar da destruição aparentemente iminente. Esse é o enredo de uma das histórias mais clássicas da literatura mundial, escrita pelo americano Herman Melville, tudo baseado em uma história real. 

Esse também foi um livro que entreguei de presente para um amigo de um trabalho que fiz há cerca de oito anos atrás. Não era aniversário dele e tampouco estávamos comemorando alguma coisa. Para falar a verdade, eu estava meio que me despedindo dele, pois alguns dias antes ele me confidenciou estar com câncer e, por isso, precisaria abandonar o trabalho para poder realizar o tratamento contra a doença.

Lembro exatamente do dia em que, mesmo em meio a diversos outros colegas, ele me pediu para que pudéssemos sair apenas os dois para o almoço. Foi quando ele me contou sobre o câncer. Eu fiquei sem reação! Lembrei-me das horas de conversas sobre nosso time, o São Paulo Futebol Clube; dos debates sobre política, viagens e rock’n’roll. Depois disso, os dias passaram muito rápidos e ele, que não morava em Brasília, precisou voltar para perto da família em outro estado.

Foram meses de tratamento até um dia, quando recebi um telefonema seu: Ele estava livre do câncer e poderia voltar para Brasília e colaborar com a conclusão do trabalho daquela época. Fiquei imensamente feliz por ele, por ter conseguido vencer o câncer e sobreviver.

O que me fez lembrar essa história de superação foi a divulgação de uma recente pesquisa chamada: “Compreendendo a Sobrevivência ao Câncer na América Latina: os casos do Brasil”. A pesquisa apresenta relatos de pacientes e familiares a respeito das dificuldades enfrentadas durante o tratamento da doença e as relações familiares, os hábitos de vidas e os impactos físicos e emocionais na vida dos sobreviventes do câncer. Quando comecei a ler esse material, lembrei-me do quanto de tempo já não falo com meu amigo, que hoje está muito bem, vivendo cada dia mais intensamente em uma praia no interior do Brasil com sua esposa – o seu maior porto-seguro.

E então você se pergunta o porquê de eu ter começado essa história falando sobre a baleia Moby Dick. Pois bem, antes do meu amigo retornar para o sul do país, fizemos um churrasco de despedida e eu lhe entreguei esse livro. A ideia era oferecer momentos de força durante o tratamento. A narrativa é uma demonstração de que a luta pela vida é uma força incrível, que não pode ser domada, assim como a baleia da história de Herman Melville. 

Por Janary Damacena. 


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