Menu

Transmissão inédita e comerciais: por que a Copa do Mundo é um marco para o futebol feminino no Brasil

Pela primeira vez, a maior emissora do país fará a cobertura da competição na TV aberta

  • Repórter
  • Data de publicação:
Banners
Créditos: Laura Zago/CBF

Se até 1979 um decreto assinado na era Vargas proibia as mulheres de praticar o futebol, não é exagero dizer que a modalidade ganha o respeito e o destaque que merece apenas 40 anos depois no Brasil. Após oito edições de Copa do Mundo e seis dos Jogos Olímpicos, o reconhecimento social do esporte parece, enfim, ter chegado, tanto por parte de torcedores, como de patrocinadores e mídia. Isso tudo tem a ver com a Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será disputada na França, a partir de sexta-feira (7).

A competição, no formato de Copa do Mundo, ocorre desde 1991, porém somente em 2019 a competição terá a cobertura da maior emissora de TV aberta do país - antes, os jogos eram restritos basicamente aos canais de esporte por assinatura. Ao mesmo tempo, pela primeira vez, uma marca de refrigerantes, que é patrocinadora da seleção masculina, fez das jogadoras protagonistas de um comercial às vésperas de um torneio importante, fato comum entre os homens. Mais do que isso: a peça publicitária lançou um desafio para que outras empresas também façam o mesmo.

A pessoa por trás desse marco no mercado publicitário esportivo é uma mulher. Keka Morelle, diretora executiva de criação da campanha e da agência Almap BBDO, admite que a propaganda simboliza um pedido de desculpas, mas também uma forma de incentivo para que outras companhias quebrem o que chamou de “círculo vicioso do futebol feminino”. Ela avalia que, com mais comerciais, o esporte ganha visibilidade, após ter sido deixado em segundo plano por anos.

“O mais legal foi que realmente as marcas criaram projetos maiores. Nó sabemos de lançamentos de campanhas que ainda estão por vir. Porque isso gerou um incômodo, gerou uma provocação e as outras marcas também pensaram ‘temos que falar, apoiar e incentivar as meninas’. O futebol feminino representa também algo muito maior, sobre feminismo, identidade de gênero, representatividade, é muito mais do que o esporte”, analisou.

Quem não se lembra da icônica propaganda de uma marca de material esportivo, em 1998, em que Ronaldo Fenômeno, Romário e outros jogadores driblam passageiros e seguranças no aeroporto? 21 anos depois, é uma atleta da seleção feminina, prestes a disputar uma Copa do Mundo na França, que estrela a campanha. Também patrocinadora do Brasil, a empresa americana conta a história de Andressa Alves, jogadora do Barcelona. A peça inclui o lançamento de uma bola personalizada com seu desenho.

Mercado internacional

A exposição “Contra-Ataque”, em cartaz no Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, conta a trajetória e a luta das mulheres pelo direito de praticar o esporte - elas se opunham à determinação do governo que as avaliava como fisicamente incapazes. Segundo Aira Bonfim, curadora da mostra, a tendência é que o crescimento se mantenha e o futebol feminino evolua e se profissionalize cada vez mais.

“O futebol feminino já é um mercado internacional. E que quem estava perdendo o timing desses negócios era o Brasil. E, de fato, não é um mercado competitivo como o masculino, é outro mercado que está sendo conquistado. Isso está acontecendo. A ideia é essa, acho que vai conceber um novo mercado, paralelo, independente, que tem condições de crescer muito. Já temos condições de pensar em calendário mais estruturado, para tentar campeonatos de base, Paulista, Brasileiro. A ideia não é retroceder, já estamos muito distante do que estávamos há 4 anos atrás. Acho que o futuro é estruturar uma modalidade que seja rentável”, projetou.

23 mulheres, batalhadoras, que não abaixaram a cabeça e lutam diariamente por seu lugar ao sol, entram em campo em busca de um título inédito. Fora dele, milhões de torcedores têm a oportunidade de apoiar e estimular o desenvolvimento de um esporte que já é considerado paixão nacional quando praticado por homens.

A bola rola na Copa do Mundo Feminina a partir desta sexta-feira (7). O Brasil estreia somente domingo (9), contra a Jamaica, às dez e meia da manhã, horário de Brasília.
 

Raphael Costa

O repórter Raphael Costa formou-se em 2015 no Centro Universitário de Brasília (CEUB), mas deu início à sua carreira anteriormente. Originalmente paulista, começou em um programa de Rádio e TV local, até se mudar para Brasília. Com cerca de três anos de casa, é a voz que noticia esportes, agricultura e economia.


Cadastre-se

Se até 1979 um decreto assinado na era Vargas proibia as mulheres de praticar o futebol, não é exagero dizer que a modalidade ganha o respeito e o destaque que merece apenas 40 anos depois no Brasil. Após oito edições de Copa do Mundo e seis dos Jogos Olímpicos, o reconhecimento social do esporte parece, enfim, ter chegado, tanto por parte de torcedores, como de patrocinadores e mídia. Isso tudo tem a ver com a Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será disputada na França, a partir de sexta-feira (7).

A competição, no formato de Copa do Mundo, ocorre desde 1991, porém somente em 2019 a competição terá a cobertura da maior emissora de TV aberta do país - antes, os jogos eram restritos basicamente aos canais de esporte por assinatura. Ao mesmo tempo, pela primeira vez, uma marca de refrigerantes, que é patrocinadora da seleção masculina, fez das jogadoras protagonistas de um comercial às vésperas de um torneio importante, fato comum entre os homens. Mais do que isso: a peça publicitária lançou um desafio para que outras empresas também façam o mesmo.

A pessoa por trás desse marco no mercado publicitário esportivo é uma mulher. Keka Morelle, diretora executiva de criação da campanha e da agência Almap BBDO, admite que a propaganda simboliza um pedido de desculpas, mas também uma forma de incentivo para que outras companhias quebrem o que chamou de “círculo vicioso do futebol feminino”. Ela avalia que, com mais comerciais, o esporte ganha visibilidade, após ter sido deixado em segundo plano por anos.
 

“O mais legal foi que realmente as marcas criaram projetos maiores. Nó sabemos de lançamentos de campanhas que ainda estão por vir. Porque isso gerou um incômodo, gerou uma provocação e as outras marcas também pensaram ‘temos que falar, apoiar e incentivar as meninas’. O futebol feminino representa também algo muito maior, sobre feminismo, identidade de gênero, representatividade, é muito mais do que o esporte”.

Quem não se lembra da icônica propaganda de uma marca de material esportivo, em 1998, em que Ronaldo Fenômeno, Romário e outros jogadores driblam passageiros e seguranças no aeroporto? 21 anos depois, é uma atleta da seleção feminina, prestes a disputar uma Copa do Mundo na França, que estrela a campanha. Também patrocinadora do Brasil, a empresa americana conta a história de Andressa Alves, jogadora do Barcelona. A peça inclui o lançamento de uma bola personalizada com seu desenho.

A exposição “Contra-Ataque”, em cartaz no Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, conta a trajetória e a luta das mulheres pelo direito de praticar o esporte - elas se opunham à determinação do governo que as avaliava como fisicamente incapazes. Segundo Aira Bonfim, curadora da mostra, a tendência é que o crescimento se mantenha e o futebol feminino evolua e se profissionalize cada vez mais.
 

“O futebol feminino já é um mercado internacional. E que quem estava perdendo o timing desses negócios era o Brasil. E, de fato, não é um mercado competitivo como o masculino, é outro mercado que está sendo conquistado. Isso está acontecendo. A ideia é essa, acho que vai conceber um novo mercado, paralelo, independente, que tem condições de crescer muito. Já temos condições de pensar em calendário mais estruturado, para tentar campeonatos de base, Paulista, Brasileiro. A ideia não é retroceder, já estamos muito distante do que estávamos há 4 anos atrás. Acho que o futuro é estruturar uma modalidade que seja rentável”.

23 mulheres, batalhadoras, que não abaixaram a cabeça e lutam diariamente por seu lugar ao sol, entram em campo em busca de um título inédito. Fora dele, milhões de torcedores têm a oportunidade de apoiar e estimular o desenvolvimento de um esporte que já é considerado paixão nacional quando praticado por homens.

A bola rola na Copa do Mundo Feminina a partir desta sexta-feira (7). O Brasil estreia somente domingo (9), contra a Jamaica, às dez e meia da manhã, horário de Brasília.

Reportagem, Raphael Costa